Calouros obrigados a beber combustível

No interior de SP, veteranos humilham e agridem estudantes de Medicina Veterinária


Pelo menos três calouros do curso de Medicina Veterinária da Universidade Castelo Branco, em Fernandópolis, no interior paulista, foram agredidos e humilhados por veteranos, sendo obrigados a beber álcool combustível, na segunda-feira. O caso veio à tona quando a família do estudante J.G.B., de 18 anos, denunciou as agressões à polícia. O jovem afirmou que levou tapas no rosto ao se recusar a cumprir as ordens dos colegas do quinto ano.

O reitor da Unicastelo, Gilberto Luiz Moraes Selber, disse que a universidade repudia o trote violento. Segundo ele, a instituição formou uma comissão de sindicância que tem prazo de 15 dias para apresentar relatório. “Os estudantes responsáveis poderão pegar punição que varia de uma advertência até a expulsão.”

Ontem, os estudantes – duas moças e J.G.B. – disseram em depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) que foram forçados a tomar etanol e bebidas alcoólicas, tiveram as roupas rasgadas e cuecas e calcinhas arrancadas. Eles também teriam sido forçados a fumar maços de cigarros contra a vontade e tiveram veneno para carrapato aplicados em seus corpos, antes de serem levados para sessões de humilhações nas avenidas da cidade.

“É possível que haja mais vítimas. Os estudantes foram retirados das salas de aulas e levados de carros para repúblicas para serem submetidos a essas e outras humilhações”, contou o delegado Gerson Piva, que pretende localizar os responsáveis pelos trotes hoje. Os acusados podem responder por crimes de constrangimento ilegal e injúria grave (inclui lesões corporais), cujas penas variam de três meses a um ano de prisão.

Outros casos

Em fevereiro de 2009, a estudante de pedagogia Layanne da Silva foi acusada de queimar, com produtos químicos, quatro calouros durante trote na Fundação Municipal de Educação e Cultura de Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. Uma das vítimas estava grávida. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, segundo relatos, calouros foram pisoteados e atacados com tinta, ovos e lama. No interior de São Paulo, 53 calouros de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), denunciaram abusos.

Naquele mesmo mês, no Centro Universitário Anhanguera Educacional de Leme, no interior, o calouro do curso de Medicina Veterinária Bruno Ferreira relatou ter sido ferido com chicote e obrigado a se jogar em lona com excrementos de animais em decomposição. Ele foi internado por ingestão de bebida alcoólica.

Fonte: Jornal da Tarde

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