Oficial do Costa Concordia estava jogando Playstation quando o navio bateu

Jogando Playstation. Era isso que o 1º oficial e o cartógrafo do Costa Concordia, Giovanni Iaccarino e Simone Canessa, respectivamente, faziam no momento em que o transatlântico bateu contra rochas em frente à ilha de Giglio, em janeiro de 2012. O naufrágio acabou provocando a morte de 32 pessoas.
A revelação sobre o videogame foi feita nesta segunda-feira pelo próprio Iaccarino durante o julgamento do capitão da embarcação, Francesco Schettino, que ocorre em Grosseto, na região central da Itália.

“Às 21h30 locais não havia mais serviço. Estava na ponte cinco, na cabine de Simone Canessa. Estávamos jogando PlayStation quando percebemos uma mudança brusca do navio à direita e, depois, à esquerda. Caíram objetos, e a sensação era de ter encalhado em um banco de areia ou de ter colidido’, revelou Iaccarino em declarações registradas pela imprensa italiana. O 1º oficial é o posto logo abaixo do capitão ou comandante da embarcação, e é considerado o segundo mais importante em um navio.

“Houve uma vibração tremenda e muitos objetos caíram no chão. Fui ao posto de comando e vi que o GPS marcava nove nós. Tínhamos passado de 16 para nove. Dirigi o olhar à carta náutica e vi que estávamos sobre um fundo marinho de 70 metros junto às rochas. Olhei o painel e só havia cruzamentos vermelhos. Todas as luzes eram vermelhas”, acrescentou o primeiro oficial.

Iaccarino também indicou que depois viu Schettino com as mãos na cabeça e dizendo “bati”. Na sequência, o oficial se dirigiu à ponte número zero do navio e viu que a água entrava rapidamente.

Além disso, o oficial disse que para se aproximar ainda mais da pequena ilha italiana, em uma manobra de saudação aos presentes no local, o capitão do navio ordenou uma mudança de rota, passando a meia milha de Giglio e não mais a 5 milhas, como previa o programa traçado previamente.

Segundo a testemunha, a nova rota, que não foi comunicada à Capitania de Portos e nem à companhia Costa Cruzeiros, estava sob responsabilidade dos oficiais da bordo, entre eles Canessa, quem traçou o novo percurso sobre as cartas náuticas e recebeu a ordem de avisar Schettino quando o navio começasse a se aproximar da ilha.

O oficial também relatou que o capitão do navio, a única pessoa que sentará no banco dos réus neste julgamento, já tinha tentado fazer essa mesma manobra uma semana antes, mas que as condições do mar o impediram.

Justiça – O julgamento de Schettino pelo naufrágio começou no dia 17 de julho em um teatro de Grosseto com capacidade para acolher todas as partes envolvidas neste processo. Na audiência desta segunda, os magistrados previam ouvir as primeiras das 1.040 testemunhas da ação.

Schettino pode pegar uma pena de até 20 anos de prisão pelos crimes de homicídio culposo múltiplo, abandono de embarcação, naufrágio e, inclusive, por não ter informado às autoridades portuárias sobre a colisão.

No último dia 20 de julho, um juiz ratificou as penas de prisão de outros cinco acusados, entre tripulantes e um diretor da empresa proprietária do navio. Eles receberam sentenças de 18 a 34 meses de prisão. No entanto, nenhum dos condenados foi preso, pois as penas inferiores a dois anos de prisão foram suspensas. No caso das mais longas, cabe apelação, com a possibilidade de serem substituídas por serviços comunitários.

Desastre – O naufrágio ocorreu na noite de 13 de janeiro de 2012. O capitão do navio, Francesco Schettino, foi apontado como um dos principais responsáveis. No momento do choque com as rochas, a embarcação de 114.500 toneladas, 57 metros de altura e 290 metros de comprimento transportava mais de 4.200 passageiros.

Fonte: Veja

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